"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossívelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Pare eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande,um profundo,
E, ah, com que felicidade fecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo. Íssimo
Cansaço..."
(Álvaro de Campos)
sábado, 9 de janeiro de 2010
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